“— Ei, ei, o que você ta fazendo? — eu não sei o que ela achava que ia ganhar com isso, mas ela deu o maior berro no meio da rua quando reparou que eu tava andando em direção contrária da que deveria ir.
— Indo embora.
— Mas como assim indo embora? Você não tá vendo? Ele tá lá com outra, com aquela outra, implorando com os olhos pra você ir lá impedir dele fazer a merda que tá quase fazendo, e você vai embora?
— É. Simples assim.
— Eu juro que as vezes sinto vontade de te bater.
— O que você quer que eu faça? — eu me virei, e acho que ela conseguiu enxergar minhas lágrimas… porque demorou uma eternidade pra me responder.
— Eu não sei… você só não pode deixar ele ir embora assim.
— É isso que você não entende, Denise. Ele já foi, sou eu que tô parada.
— Aonde você enfiou as teorias de que ainda poderia dar certo? A auto-confiança? Todas aquelas coisas que você me mostrou quando eu tentei fazer você esquecer?
— Tanto faz, Denise. Tanto faz.
— Ele tá vendo você chorar.
— Tanto faz também.
— Pára! — tinha desespero em sua voz, e era eu que deveria estar assim, na verdade. Ela não suportava mais me ver sofrer, e era por isso que odiava chorar na frente dela. Não era pra ela ter visto nada. Eu não podia continuar ali, eu não queria continuar sentindo aquilo. Na real, eu não queria nem explicar mais os meus pensamentos; mas o chato da Denise é que ela me tortura até eu dizer.
— Às vezes as coisas dão errado pra começarem a dar certo.”, Letícia Martins
— Ei, ei, o que você ta fazendo? — eu não sei o que ela achava que ia ganhar com isso, mas ela deu o maior berro no meio...